sábado, 25 de abril de 2009

A volta.

-Meu,quem são vocês? O que fazemos aqui?

Foi o que pude perguntar,quando comecei a recuperar a conciência...

Minha memoria anda ruim ultimamente,não sei se é o rum ou a cerveja,se são os entorpecentes,ou somente a idade.Só sei que realmente,não lembro de muita coisa acontecida recentemente.

Como chama a menina que eu beijei?Tainá? Larissa? Elisângela? Realmente não lembro,desculpa,mas posso afirmar que foram os cinco melhores minutos da festa,pode ter certeza.

Bebendo minha oitava ou nona lata de cerveja,o segurança veio nos afirmar que a festa havia acabado,meu amigo completado seus 18 anos e eu deveria ir pra casa.

Nada mais justo.Já morei em prédio,sei como são as normas e principalmente,os chatos e quadrados moradores.Não nos deixam em paz,nossas liberdades engarrafadas são controladas e vendidas a preços estrupamente violentos,mas somos a geração liberal.Pagamos o que você quiser receber pela nossa estranha e patética vida.

Com o anuncio do segurança,precisava ir embora.Não importava como.Me sentia uma abelha fora da coméia,e ainda por cima,incomodando as outras abelhas.

Porém,no prédio de 16 andares,achar a saida não é nada facil,e qualquer bebado sabe sobre isso.Pude sentir a sensação de subir,subir e nunca descer.

Mesmo sabendo que minha rua,estava perada lá em baixo,senti uma enorme atração por apertar o numero 16 do elevador e subir cada vez mais,somente comigo e com meus demonios.

Após vadiar pelo corredor vazio e sem sentido algum,minha maior ambição era poder chegar até o térreo sozinho,já que não dispunha de ajuda nenhuma.Pude constatar em minha mente,juntamente com a tontura causada pela tequila,o pavor e o abandono que eu senti.

São sensações que não valem a pena sentir,nem por bebida,nem por alucinógeno.E posso dizer com toda a certeza,que o desamparo é a pior coisa que ja passou perto de mim,nesses meus 18 anos de experiencias totalmente desgastantes e incógnitas.

Chegando ao térreo,o porteiro que havia me rastreado e me denomidado como um perdido (não que eu não estava) me mostrou o caminha da porta,e consegui finalmente sair do predio...Parado no estacionamento,pedi carona para um ser que eu nunca havia visto na vida.Em seu carro,três garotos se acomodavam no banco de tráz,e um sentava confortavelmente no banco do passageiro.

O dono do gol branco me disponibilizou a carona.Perguntando onde morava,logo respondi o nome da rua e ponto de referência.E achando que o motorista saberia chegar ao meu destino,ele parou em uma cidade completamente diferente da minha.Descemos do carro,e cervejas nos foram oferecidas.Tomando um grande gole,discuti com outros integrantes do gol branco sobre futebol e sobre mulher,os dois assuntos que eu me limito.

Não sabia onde estávamos,porém,tinha a certeza de que era realmente longe da minha casa.Queria ir embora,mas meus companheiros de carro não paravam de beber,o que não me assustou na hora.Porém,agora vejo a quantidade de erros que cometi em uma noite.

Estávamos no meio do nada,com o celular fora de area,me senti perdido numa ilha do LOST.O que eu mais queria era ligar pra minha melhor amiga,e sentir o conforto em sua voz,mas nem isso eu pude.

Estava com muito medo,tentei não demonstrar isso.

Nessa nossa vida,a única coisa inteligente que podemos fazer,são colocar máscaras e encarar a realidade da mesma forma que ela nos encara...totalmente ilícita e ímpropria.Sem contar nossa dignidade,ela nos obriga a todo dia,usar uma mascára diferente a cada situação.Não adianta ser hipócrita e negar,é a vida,é o mundo!

Queria voltar pra casa e ouvir os chingos e berros de minha mãe.

Quando voltamos,nos perdemos.Não sabia mais onde era minha casa,tinha perdido a noção do espaço e tempo.Estava totalmente desorientado.

2 comentários: